Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) alertam para os impactos cada vez mais severos de barragens e secas extremas sobre as florestas alagáveis da Amazônia. Em celebração ao Dia Mundial das Zonas Úmidas, os estudos do Grupo de Pesquisa em Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP-MAUA) destacam a importância desses ecossistemas para a biodiversidade, o clima e as comunidades que dependem deles.
As áreas úmidas amazônicas, que incluem várzeas, igapós, buritizais e campinaranas, abrangem 2,3 milhões de quilômetros quadrados e desempenham funções cruciais, como o armazenamento e sequestro de carbono, além de abrigar uma biodiversidade única, adaptada aos regimes de inundação. “Além dos serviços ecossistêmicos fundamentais, esses ambientes armazenam e sequestram carbono, abrigando também uma biodiversidade parcialmente endêmica, adaptada a essas condições do regime de inundação”, explicou Jochen Schöngart, pesquisador do Inpa.
Um exemplo alarmante é a hidrelétrica de Balbina, cuja barragem alterou drasticamente o ecossistema do rio Uatumã. O represamento, entre 1987 e 1989, extinguiu o pulso de inundação natural, causando a morte de grande parte da floresta de igapó e uma lenta recuperação com uma composição vegetal diferente e menos diversa. “Recentemente publicamos um estudo na revista internacional Forest Ecology and Management, que mostrou que o barramento do Rio Uatumã ocasionou uma profunda mudança na vegetação jusante. Os impactos foram detectados até 120 quilômetros rio abaixo, mostrando redução significativa na diversidade de espécies e mudanças na composição florística, mesmo após quarenta anos do impacto da instalação”, revelou Carla Iara Dantas, colaboradora do Grupo MAUA.

Estudos de longa duração do Inpa também revelam a vulnerabilidade das florestas de igapó a incêndios florestais, intensificados por secas severas associadas ao fenômeno El Niño. Pesquisas no Parque Nacional do Jaú indicam que cerca de 80% a 90% das árvores podem ser perdidas em um único incêndio, e a recuperação da biomassa e da diversidade é lenta. “Descobrimos que a floresta que se recupera nas áreas afetadas por incêndios quase quarenta anos atrás, recuperou somente 16% de toda a biomassa e aproximadamente 50% da diversidade que ela possuía antes da queimada”, completou Gildo Vieira Feitoza, pesquisador INCT WETSCAPE vinculado ao GP MAUA. Os pesquisadores alertam para a necessidade de considerar os impactos ecológicos de longo prazo no planejamento energético e na conservação desses ecossistemas.
Os achados reforçam a importância de considerar os impactos ecológicos de longo prazo no planejamento energético e na conservação desses ecossistemas, especialmente diante dos planos de expansão de usinas hidrelétricas na Amazônia e do aumento da frequência de secas extremas.

Com informações do Portal Amazônia.












