O Banco Central do Brasil (BCB) decidiu nesta terça-feira (18) iniciar a liquidação extrajudicial do Banco Master, após colocá-lo sob regime de administração especial temporária por 120 dias. A medida ocorre um dia após a Fictor Holding Financeira apresentar proposta de compra da instituição, controlada por Daniel Vorcaro, e mais de dois meses após o BC ter barrado a aquisição pelo Banco de Brasília (BRB).
Liquidação Extrajudicial
A liquidação extrajudicial é o processo pelo qual o Banco Central encerra as atividades de uma instituição financeira que não possui condições de continuar operando. Um liquidante é designado para assumir o controle, encerrar as operações, vender os ativos e quitar as dívidas na ordem legal estabelecida, até a extinção da instituição. Durante essa fase, o banco deixa de fazer parte do sistema financeiro nacional.
De acordo com o ofício assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a decisão de liquidar o Banco Master se justifica devido ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, à deterioração da liquidez e ao descumprimento de normas e determinações do BCB.
Prisão do Controlador
Em paralelo, a Polícia Federal (PF) prendeu Daniel Vorcaro em sua residência em São Paulo, na terça-feira (18). A operação, denominada Compliance Zero, cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. O objetivo é combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Tentativas de Aquisição
A decisão do BCB ocorre após a tentativa da Fictor Holding Financeira – patrocinadora do Palmeiras – de adquirir o Banco Master, oferecendo um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar a estrutura de capital da instituição, que enfrentava dificuldades financeiras. A Fictor é um grupo de participações e gestão de empresas, atuante nos setores de serviços financeiros, indústria alimentícia e infraestrutura, e contou com a participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação ainda dependia da aprovação do BCB e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Anteriormente, o Banco de Brasília (BRB) também tentou comprar o Banco Master, mas a operação foi barrada em setembro pela diretoria colegiada do Banco Central, sob a alegação de que o pedido não atendia aos requisitos necessários, especialmente em relação à viabilidade econômico-financeira. O Cade já havia aprovado a operação em junho, e a Câmara Legislativa do Distrito Federal havia autorizado a compra por meio de uma lei sancionada rapidamente pelo governador Ibaneis Rocha.
O acordo proposto entre o BRB e o Master previa a aquisição, pelo BRB, de 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do Master.
*Reportagem em atualização











