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27 de março de 2026

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Aves migratórias no Rio Negro: o que o conhecimento indígena revela

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Pesquisa intercultural revela rotas e impactos das mudanças climáticas nas aves da Amazônia.

Conhecimento tradicional dos povos Koripako e Baniwa, da bacia do Rio Içana, está revelando detalhes sobre a migração de aves na região do Alto Rio Negro. A pesquisa, apresentada na COP15, mostra como a queda das folhas anuncia a chegada do inverno e o início da jornada de aves como cabeças-secas e garças em direção à serra de Kodamadali.

Os Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) monitoram 18 espécies, registrando eventos de migração, reprodução e a presença de ovos e filhotes. Com mais de 34.812 registros, a pesquisa utiliza um aplicativo próprio para coletar dados, que são analisados em conjunto com os conhecimentos dos mais velhos.

Um dos principais pontos levantados é a redução no número de avistamentos, possivelmente relacionada às mudanças climáticas. As aves, que dependem das estações do ano, estão se tornando menos presentes na região, conforme observado pelos AIMAs em seus diários. Espécies como o carará, a garça-grande e o socó-dorminhoco são as que apresentam maior declínio.

A pesquisa intercultural, coordenada pelo ISA e com participação do Inpa, busca conectar o conhecimento indígena com a ciência, revelando a importância da tríplice fronteira ecológica entre Brasil, Colômbia e Venezuela para a vida das aves. O diálogo entre saberes pode abrir caminhos para investigações mais aprofundadas sobre as rotas migratórias e fortalecer a cooperação transfronteiriça.

Ilustração sobre a migração de aves observado pelos AIMAs. Foto:: Ismael dos Santos/AIMA 

A secretária de Biodiversidade do MMA, Rita Mesquita, destacou a importância de monitorar os impactos das mudanças ambientais sobre as espécies migratórias e valorizou o conhecimento das populações locais na produção de registros e identificação de transformações ao longo do tempo.

Com informações do Portal Amazônia.

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