Jogadora Tamires e 40 esportistas lançam a campanha Adapt2Win e cobram líderes globais por mais investimento em adaptação climática no Brasil e no mundo.
A mudança climática é o “adversário mais difícil” para qualquer atleta, afirmou a jogadora de futebol brasileira Tamires Dias. Ela integra um grupo de cerca de 40 esportistas de elite que lançaram uma nova campanha global. O movimento será apresentado na cúpula do clima COP30, que acontece no próximo mês em Belém, no Pará.
A campanha multimídia global chama-se Adapt2Win e busca pressionar os governos. O objetivo principal é que priorizem o investimento em adaptação climática antes do encontro mundial. A iniciativa recebe apoio da Fundação Gates e do Wellcome Trust.
A campanha “Adapt2Win” cobra adaptação climática
Tamires, que participou de duas Copas do Mundo Femininas, une-se a grandes nomes do esporte. Estão no grupo compatriotas como a tenista Beatriz Haddad Maia e a surfista Maya Gabeira. Além disso, a iniciativa conta com o nadador olímpico romeno David Popovici e o jogador de futebol inglês Raheem Sterling.
A campanha cobra ações, pois a mudança climática já afeta o esporte de elite em todo o mundo. Para os organizadores, a adaptação não é mais uma opção, mas uma necessidade urgente.
O clima é o adversário mais difícil para os atletas
Tamires, de 38 anos, descreve a realidade de jogar futebol no Brasil. Ela relata que o calor extremo e as chuvas prejudiciais representam desafios constantes. A adaptação, portanto, tornou-se uma pauta central.
“No esporte, aprendemos a nos adaptar todos os dias, a novos times, novas táticas, novos adversários. Mas a mudança climática é um tipo diferente de adversário. É mais forte, mais imprevisível e ninguém pode enfrentá-lo sozinho”, disse a jogadora.
Quarenta atletas assinaram uma carta aberta. Além disso, a campanha inclui um filme contundente que mostra o impacto dramático de enchentes e incêndios em instalações esportivas. O filme será exibido na COP30 com uma mensagem clara: “Esta pode ser a pior derrota da história ou a maior virada de todos os tempos”.
Perdas bilionárias e a voz dos signatários
Os desastres relacionados ao clima causaram prejuízos econômicos de US$ 417 bilhões em 2024, de acordo com os organizadores. No entanto, menos de 10% do financiamento climático global é direcionado à adaptação climática. O grupo de esportistas busca reverter essa proporção.
A campanha destaca diversas perspectivas dos signatários:
- Raheem Sterling (futebol, Inglaterra): O atleta enfatiza a questão pessoal. “Vi como a mudança climática está remodelando a vida em todo o Caribe”, afirmou. Sterling, que nasceu na Jamaica, ressalta que soluções simples e lideradas pela comunidade podem fazer uma enorme diferença, citando o trabalho da sua fundação na prevenção de doenças transmitidas por mosquitos.
- Kenneth Omeruo (futebol, Nigéria): O jogador relata a dificuldade de contar com as estações do ano no seu país. “O clima é imprevisível, as comunidades estão passando por dificuldades e até mesmo os campos de futebol em que treinávamos estão inundados ou secos. A mudança climática é algo com o qual convivemos todos os dias”, disse Omeruo.
- Outros nomes importantes que assinaram a carta incluem o jogador de rúgbi sul-africano Bongi Mbonambi e o velejador norte-americano bicampeão mundial Mike Buckley.
Soluções de base e o papel da COP30 em Belém
O movimento Adapt2Win também valoriza os esforços de base que já estão em andamento. A campanha cita, por exemplo, os alertas de seca via SMS no Quênia e os cuidados com a saúde materna relacionados ao calor em Serra Leoa.
Assim, Ana Toni, diretora-executiva da COP30, reforça a necessidade de união. “A Adapt2Win nos lembra que todos os setores, de governos a empresas e esportes, têm um papel a desempenhar na criação de mudanças”, afirmou.
A COP30 é vista como um momento crucial para os líderes globais apoiarem e financiarem essas soluções de adaptação, especialmente nos países mais vulneráveis.











