As pinturas corporais são uma expressão fundamental da cultura e espiritualidade de diversos povos indígenas brasileiros. Mais do que adornos, elas representam identidade, pertencimento e narrativas ancestrais. A beleza dessas pinturas reside não apenas nos desenhos, mas também na origem natural de seus pigmentos.
A preparação das tinturas é um processo artesanal, transmitido de geração em geração, e varia conforme os costumes de cada etnia. Elementos como plantas, frutas, sementes e minerais são cuidadosamente selecionados e processados para extrair as cores que adornam os corpos e contam histórias.
O vermelho vibrante, por exemplo, é obtido do urucum, através da polpa amassada de suas sementes, frequentemente misturada a óleos como o andiroba para melhor fixação na pele. Já o preto intenso vem do jenipapo, cujo fruto verde, combinado com carvão, garante uma tonalidade escura e duradoura – podendo permanecer na pele por até 15 dias.

Outras cores também são extraídas da natureza: o branco, da argila tabatinga encontrada em rios; o amarelo, da raiz seca e moída do açafrão-da-terra. Um estudo da UFRPE detalha a composição química desses corantes e como diferentes comunidades indígenas os utilizam, como os Asurini do Trocará, Xikirin e Karajá, que amassam as sementes de urucum diretamente nas mãos, enquanto os Xerentes e indígenas do Alto Xingú utilizam a fervura para extrair a cor.

“Os Asurini do Trocará (TO), os Xikirin (PA) e os Karajá (MT) amassam as sementes com as mãos e espalham pelo corpo. Já os Xerentes (TO) obtêm a tintura por meio da fervura prolongada da semente de urucum e após esfriar, espalham pelo corpo. Por outro lado, os indígenas do Alto Xingú ralam as sementes, peneiram e fervem em água até formar uma pasta”, detalham as pesquisadoras Vania da Costa Ferreira Vanuchi e Mara Elisa Fortes Braibante.

Com informações do Portal Amazônia.












