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17 de fevereiro de 2026

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Árvores da Amazônia crescem e ajudam a captar carbono, aponta estudo

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Uma notícia animadora em meio às preocupações com o futuro da Amazônia: as árvores da floresta estão ficando maiores, e isso pode ser um bom sinal na luta contra as mudanças climáticas. Um estudo recente, publicado na revista científica Nature Plants, indica que o aumento do gás carbônico (CO₂) na atmosfera está impulsionando o crescimento da vegetação, especialmente das árvores de maior porte.

A pesquisa, que analisou dados de inventários florestais em toda a bacia amazônica, revelou que o tamanho médio das árvores cresceu 3,3% por década nos últimos 30 anos. As árvores maiores, então, apresentaram um crescimento ainda mais expressivo, com um aumento de 5,8% no tamanho máximo.

“Usamos uma rede de inventários florestais chamada RAINFoR, onde pesquisadores medem as florestas em diferentes locais ao longo do tempo”, explica a ecóloga brasileira Adriane Esquivel-Muelbert, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e primeira autora do estudo. Pesquisadores em nove países da região amazônica medem periodicamente as árvores, monitorando seu crescimento e sobrevivência.

A medição da área basal – que indica o espaço ocupado pelo tronco de uma árvore – é fundamental nesse processo. Para garantir a precisão, os pesquisadores marcam os troncos das árvores para acompanhar seu desenvolvimento ao longo dos anos. O estudo mostra um aumento na proporção de troncos com diâmetro superior a 40 centímetros.

Apesar de toda a floresta ter crescido, as árvores maiores parecem ter se beneficiado mais do acúmulo de carbono na atmosfera. Essa observação é vista como um sinal de resiliência da floresta, que continua a atuar como um importante estoque de carbono, removendo o CO₂ da atmosfera. No entanto, os pesquisadores alertam que essa função por si só não é suficiente para compensar os danos causados pelas emissões globais.

Estudos recentes apontam que a Amazônia pode estar se tornando uma fonte de carbono em vez de um sumidouro. A pesquisa de Esquivel-Muelbert e seus colegas se concentra em áreas de floresta madura, o que pode explicar a diferença nos resultados. “Nós olhamos só para a floresta madura, e isso faz muita diferença”, explica a ecóloga.

Árvores gigantes, com mais de 40 metros de altura, estão sob investigação para entender como lidam com o estresse hídrico e outros desafios. Pesquisas preliminares com o angelim-vermelho, no Amapá, mostram que essas árvores parecem se adaptar bem às condições de seca. Entender como elas conseguem isso pode ser crucial para a conservação da floresta a longo prazo.

Para o biólogo Rafael Oliveira, que participou de experimentos de seca na Amazônia, o estudo reforça a importância de considerar a fisiologia das árvores e a diversidade da paisagem nos modelos climáticos. “Precisamos de mais estudos na escala local, para monitorar o que a vegetação está fazendo”, afirma Oliveira.

A pesquisadora de Cambridge enfatiza a necessidade de investimentos de longo prazo em pesquisa e monitoramento da floresta amazônica. “Só vamos entender a dinâmica da floresta se continuarmos a fazer inventários detalhados”, alerta Esquivel-Muelbert.

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