Desde a redemocratização do Brasil o processo eleitoral sempre foi decidido em segundo turno na corrida dos presidenciáveis. Após o atentado sofrido pelo candidato Jair Bolsonaro, há uma forte corrente nas Redes Sociais pregando que esse fator acidental acarretará na decisão em primeiro turno. Creio, em minhas faculdades mentais ainda sã, que mesmo com alto índice de popularidade manifestado nas mídias sociais, o candidato Bolsonaro tem um percentual significativo de rejeição.
Em 1989, o duelo foi travado entre Collor e Lula. Em 1994, entre FHC e Lula. Em 1998, entre FHC e Lula. Em 2002, entre Lula e Serra. Em 2006, entre Lula e Alckmin. Em 2010, entre Dilma e Serra. Em 2014, entre Dilma e Aécio. Não haveria por que não termos um novo duelo decidido no segundo turno.
O PT de Lula, que em seus tempos gloriosos de 2002 e 2006, com altíssimo índice de aceitação popular, sem a interferência das Redes Sociais, não conseguiu decidir sua eleição (2002) e reeleição (2006) em primeiro turno. A comoção do atentado sofrido pelo “mito” Bolsonaro, ocorrida 25 dias antes do pleito eleitoral, deverá esfriar, como tudo na política brasileira.
Falar em decisão em primeiro turno é muito prematuro, seja por parte tanto dos conhecedores dos bastidores da política, quanto dos leigos que emitem opiniões soltas e vazias. Com tanta rejeição pela política, e pelos políticos, não teríamos uma decisão pacificada em primeiro turno com tantos candidatos envolvidos.
É certo que o embate continuará, e muito mais pesado, agora partindo do viés da vitimização. Aquilo que os partidos de esquerda fizeram tão bem no passado próximo poderá ser bem usado por outros candidatos. Basta analisarmos a construção do processo eleitoral trazido desde a redemocratização que chegaremos à conclusão de que não há motivos para que o duelo se encerre em 7 de outubro.
Se teremos Bolsonaro no páreo, com Ciro ou Marina ou Amoedo, que melhor desempenham-se nas pesquisas realizadas e nas Redes Sociais. Os 25 dias que faltam ditarão o resultado. Aos que creem na decisão em primeiro turno, frustração que lhes aguarda em 7 de outubro!
Alckmin e Temer
Está complicada a vida para Alckmin. O presidente Temer botou na cabeça que ele é o candidato (dele) e tem prejudicado em demasia à candidatura do tucano. Nas Redes Sociais, o presidente Temer manifestou levemente apoio a Geraldo Alckmin e viu uma verdadeira avalanche de críticas. Alckmin vem tentando se descolar de Temer, porém já colou.
Meirelles e Temer
O candidato apagado do MDB, Henrique Meirelles, tenta evitar ao máximo ser colado na figura do seu ex-chefe, Michel Temer. Para tanto, em seus programas eleitorais vem usando a imagem de ter sido o presidente do Banco Central do governo Lula e Dilma para não haver qualquer ligação com Temer. A sua passagem pelo Ministério da Fazenda do governo Temer sequer é lembrada.
Ciro e Marina
Pelas pesquisas eleitorais e embate nas Redes Sociais, o segundo turno deverá ser alçado por um desses dois candidatos. Marina e Ciro apresentam semelhanças em planos e projetos de governo e ambos têm menos rejeição ao candidato que me parece já ungido para o segundo turno, Jair Bolsonaro. Setembro será decisivo para sabermos quem conseguirá enfrentar o “mito” no segundo turno. Aguardem!












