Aposta de alto valor previu a prisão de Maduro e gerou lucro de R$ 2,3 milhões. Investigadores questionam uso de informação privilegiada
Um apostador ganhou quase R$ 2,3 milhões (US$ 436 mil) ao prever a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, levantando suspeitas de uso de informações privilegiadas. A aposta de US$ 32.537 (R$ 175 mil) foi feita pouco antes do anúncio oficial da detenção, feito pelo ex-presidente americano Donald Trump.
As apostas foram realizadas na Polymarket, uma plataforma de negociação movida a criptomoedas. As chances de saída de Maduro do poder aumentaram significativamente nas horas que antecederam o anúncio de Trump. Na tarde de sexta-feira (2/1), a probabilidade era de apenas 6,5%, mas saltou para 11% antes da meia-noite e disparou logo após a publicação de Trump na rede social Truth Social.
A identidade do apostador permanece desconhecida. A conta anônima na Polymarket foi criada no mês passado e realizou apenas quatro apostas, todas relacionadas à Venezuela. A plataforma não se pronunciou sobre o caso.
Especialistas questionam a legalidade da aposta. “Essa aposta em particular tem todas as características de uma negociação baseada em informação privilegiada”, afirmou Dennis Kelleher, diretor-executivo da Better Markets, à CBS, parceira da BBC nos EUA. Outros usuários da Polymarket também obtiveram ganhos significativos com apostas na captura de Maduro.
O congressista Ritchie Torres apresentou um projeto de lei que busca proibir funcionários do governo de negociar em mercados de previsão se possuírem “informações relevantes não públicas”. Os mercados de apostas ganharam popularidade nos EUA, atraindo centenas de milhões de dólares em apostas, incluindo as eleições presidenciais de 2024. A negociação com informação privilegiada é ilegal no mercado de ações, mas a regulamentação nesses mercados é menos rigorosa.
A Kalshi, outra plataforma de apostas, afirmou que “proíbe explicitamente qualquer forma de negociação com informação privilegiada, incluindo funcionários do governo negociando em mercados de previsão relacionados a atividades governamentais”. Donald Trump Jr., filho do ex-presidente, atua como consultor na Kalshi e na Polymarket.
Maduro passou pela primeira audiência em um tribunal dos EUA e se declarou inocente.
Com informações do G1










