A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) alertou o governo federal sobre os riscos da concentração de data centers em grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. O presidente do conselho diretor da autarquia, Carlos Baigorri, destacou que a dispersão desses centros de processamento de dados é crucial para garantir a segurança do sistema de dados nacional.
Concentração e riscos
“Quando você coloca todos os ovos numa mesma cesta e tem um problema, isso tem uma repercussão muito grande para todo o país”, afirmou Baigorri à Reuters, após evento na Fundação Getulio Vargas (FGV). A Anatel tem dialogado com o Ministério das Comunicações sobre estratégias para diversificar e desconcentrar a infraestrutura de data centers, visando mitigar riscos.
Segundo Baigorri, um apagão, terremoto ou incidente em uma dessas áreas de concentração poderia afetar todo o país. A desconcentração também contribuiria para ampliar a conectividade e fortalecer a soberania digital. A concentração atual está ligada à infraestrutura de cabos submarinos, com 17 chegando à Praia do Futuro, em Fortaleza.
“No Rio e São Paulo, a concentração do poder econômico atrai novos empreendimentos. Em Fortaleza, a chegada dos cabos submarinos gera essa concentração”, explicou o presidente da Anatel.
Incentivos à desconcentração
Em março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma medida provisória que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). O programa visa impulsionar o desenvolvimento de setores como computação em nuvem e inteligência artificial, oferecendo incentivos à desconcentração regional, com redução de contrapartidas para investimentos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2026 reserva R$ 5,2 bilhões para o Redata, e a partir de 2027, o programa contará com benefícios da reforma tributária.
A crescente demanda por data centers, impulsionada pela inteligência artificial, levanta preocupações sobre o consumo de energia. Primeiros data centers de IA no Brasil podem consumir energia equivalente à de milhões de casas.









