Apesar de abrigar a maior floresta tropical do planeta, a biodiversidade da Amazônia permanece em grande parte desconhecida pela ciência, principalmente em suas regiões mais isoladas. Um estudo recente publicado na Proceedings of the Royal Society B demonstra que essa lacuna de conhecimento se estende para além de animais e plantas de grande porte, afetando também grupos menores, porém cruciais para o equilíbrio dos ecossistemas.
A pesquisa investigou a distribuição do conhecimento científico sobre moscas sarcosaprófagas – insetos essenciais para a decomposição da matéria orgânica e com importância na saúde pública e forense – em todo o território amazônico. Os resultados revelam um esforço de pesquisa desigual, concentrado em áreas de fácil acesso, próximas aos rios da região.

O estudo, conduzido por pesquisadores de diversas instituições brasileiras, analisou mais de 8 mil registros de ocorrência dessas moscas e comparou com um modelo que simula uma distribuição ideal de estudos. A análise revelou que cerca de 40% das áreas florestais apresentam um nível de conhecimento científico inferior a 10%, enquanto áreas já degradadas concentram a maior parte dos dados disponíveis.
“Essas moscas respondem rapidamente às mudanças ambientais e prestam serviços ecossistêmicos essenciais, como a decomposição da matéria orgânica. Ignorá-las significa perder informações valiosas sobre a saúde das nossas florestas”, explica Bruna Façanha, pesquisadora da UFPA e primeira autora do estudo.
Os pesquisadores enfatizam que a acessibilidade é um fator determinante para a realização de estudos na Amazônia. Para superar essa limitação e preencher as lacunas de conhecimento, é fundamental investir em expedições a áreas remotas e estabelecer parcerias com comunidades locais e tradicionais, que detêm um conhecimento valioso sobre o território.

“Para compreender de fato esses organismos, precisamos levar a pesquisa para regiões distantes e ainda pouco conhecidas, onde grande parte da biodiversidade permanece invisível para a ciência. Trata-se de uma ciência feita com e para as pessoas que vivem na Amazônia”, complementa Façanha.

Com informações do Portal Amazônia.












