O Amazonas se consolidou como um dos principais pontos de entrada de mercúrio contrabandeado na América do Sul, de acordo com um relatório divulgado recentemente pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
O estudo aponta que o estado é cortado por rotas clandestinas que conectam países vizinhos, como Peru e Colômbia, aos garimpos ilegais no interior do Brasil. O mercúrio é fundamental no processo de extração de ouro, e o contrabando abastece essa atividade predatória.
A região oeste do estado, especialmente ao longo do Rio Solimões, é considerada a mais vulnerável à contaminação. O relatório traça uma ligação direta entre o departamento de Loreto, no Peru, e as áreas de garimpo ilegal no Amazonas.
Impacto nas comunidades locais
As populações indígenas e ribeirinhas são as mais prejudicadas pela contaminação por mercúrio, com níveis de exposição considerados alarmantes. Entre os Yanomami, que vivem no Norte do estado, a média de mercúrio detectada foi de 3,78 µg/g. A principal forma de contaminação é o consumo de peixes contaminados.
“No Brasil, não há mineração de mercúrio ou jazidas do metal economicamente viáveis, de modo que todo mercúrio utilizado localmente é trazido, de forma legal ou ilegal, a partir de outros países. Estima-se que quase todo mercúrio destinado aos garimpos ilegais brasileiros seja adquirido por contrabando”, destaca o relatório.
O estudo alerta que comunidades tradicionais em todas as sub-bacias da região amazônica enfrentam um risco alto ou extremamente alto de intoxicação. A situação exige atenção urgente e medidas eficazes para proteger a saúde dessas populações.
A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) para obter informações sobre as ações de combate ao contrabando de mercúrio, mas não recebeu resposta até o momento.
Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM










