Guatemala em crise: motim em presídios, ataques a policiais e um líder criminoso condenado a 2 mil anos de prisão
Uma onda de violência tomou conta da Guatemala desde o fim de semana, desencadeada por um motim simultâneo em presídios. Integrantes da gangue Barrio 18, considerada um grupo terrorista pelo governo, realizaram ataques em larga escala contra policiais em todo o país.
Nove agentes de segurança já perderam a vida, levando o governo a suspender as aulas e mobilizar o Exército nas ruas. O motim teve como principal objetivo garantir privilégios dentro das prisões para os líderes da facção criminosa, especialmente para Aldo “El Lobo” Dupie, condenado a mais de 2.000 anos de prisão.
A escalada da violência ocorreu após as forças de segurança guatemaltecas retomarem o controle do presídio de Renovación 1, no sul do país, um dos que havia sido tomado pelos detentos no sábado (17). Dupie, de 42 anos, é considerado o líder da Barrio 18, autor e mandante de diversos assassinatos e outros crimes.
A trajetória de Dupie é marcada por inúmeras detenções, incluindo uma apreensão em um centro para menores infratores aos 16 anos. Sua primeira entrada no sistema carcerário como adulto ocorreu em 2003. Ele ascendeu à liderança da Barrio 18 em meados da década seguinte e é conhecido por condenações como a de mentor do assassinato de 11 motoristas de ônibus, crime pelo qual recebeu uma pena de 191 anos. Além disso, foi condenado por roubo, associação criminosa, homicídio e tentativa de homicídio, somando penas que ultrapassam 2.000 anos.
Dupie chegou a se casar com María Marta Castañeda Torres, sobrinha de Sandra Torres, ex-candidata à Presidência da Guatemala. No entanto, não há indícios de que Torres tenha envolvimento com o grupo criminoso. María Torres, por sua vez, está presa desde agosto de 2025, acusada de envolvimento em um atentado contra uma promotora de Justiça.
O Barrio 18, originário de Los Angeles, nos EUA, migrou para a América Central na década de 1990, frente ao endurecimento das leis americanas contra criminosos estrangeiros. A gangue possui forte presença na Guatemala, El Salvador e Honduras, e seus líderes coordenam as ações a partir das prisões. O grupo é conhecido por extorsão, microtráfico e violência, e foi declarado grupo terrorista pelo Congresso da Guatemala em outubro de 2025.
Com informações do G1










