Protesto na Bélgica: agricultores despejam batatas contra acordo UE-Mercosul e enfrentam investigação e multas
Agricultores da Bélgica estão sendo investigados pelas autoridades após despejarem toneladas de batatas na praça principal de Bruxelas, em protesto contra a aprovação provisória do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, ocorrida na última sexta-feira (9). O ato de protesto visa expressar a preocupação com a concorrência desleal que o acordo pode gerar.
Imagens da agência Reuters mostram tratores descarregando batatas no centro de Bruxelas no dia 10 de janeiro, enquanto os manifestantes exibiam cartazes criticando o acordo. O líder dos agricultores envolvidos no protesto foi detido e enfrenta investigação por infrações que incluem violações do Código Penal, normas de trânsito e legislação ambiental.
O Ministério Público belga propôs que o líder dos agricultores indenize a cidade de Bruxelas pelos danos causados, arcando com os custos de reparo e prestando serviços comunitários. Os agricultores argumentam que o tratado com os países sul-americanos permite a importação de produtos que não atendem aos mesmos padrões exigidos da agricultura europeia, criando uma competição desigual.
“Consideramos isso um absurdo, não só pela questão da justiça para com os agricultores, mas também pela saúde do consumidor, já que esses produtos são de baixa qualidade”, declarou um dos manifestantes à agência. A manifestação ocorre em um momento de negociações avançadas para a ratificação do acordo, que prevê a redução de tarifas e maior abertura comercial entre os blocos.
Na França, agricultores também protestaram contra o acordo, alegando que ele favorece importações sul-americanas mais baratas, prejudicando a produção local. A mobilização, organizada pela FNSEA, principal sindicato rural do país, pede salvaguardas mais rígidas e tem pressionado o governo francês.
O acordo foi aprovado pelo Comitê de Representantes Permanentes da UE por maioria qualificada (21 votos a favor, cinco contrários e uma abstenção). A redução tarifária prevista abrange cerca de 90% dos produtos, tanto agrícolas quanto industriais. A assinatura oficial está marcada para 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai. A entrada em vigor é estimada para o segundo semestre de 2026, após aprovação no Congresso brasileiro e no Parlamento Europeu.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, expressou otimismo quanto ao cumprimento do calendário, destacando que o acordo é “um exemplo para o mundo” em meio à instabilidade geopolítica, beneficiando uma população de 700 milhões de pessoas. O acordo prevê mecanismos de salvaguarda e proteção, como a possibilidade de ressurgimento de tarifas em caso de aumento significativo das importações do Mercosul.
Com informações do G1










