No km 36 da Transacreana, em Rio Branco (AC), o Huwã Karu Yuxibu, espaço criado pelo povo Huni Kuin, se destaca como um centro de troca de conhecimentos, recuperação ambiental e conexão com a natureza. A área, que sofreu com um incêndio criminoso, está sendo restaurada por meio de mutirões e atividades que unem saberes tradicionais e acadêmicos.
Recentemente, mais de 30 estudantes de Engenharia Agronômica, Florestal e Medicina Veterinária participaram de um mutirão de plantio de 600 mudas, aprendendo técnicas de restauração e vivenciando a cultura Huni Kuin. O espaço tem atraído estudantes, pesquisadores e visitantes interessados em entender como manejar e restaurar a floresta em harmonia com os povos originários.
A iniciativa conta com o apoio da SOS Amazônia, da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Instituto Alok. Atualmente, o Huwã Karu Yuxibu ocupa 11 hectares e abriga um restaurante que serve famílias em vulnerabilidade, além de oferecer vivências culturais durante os mutirões.

Para o líder Mapu Huni Kuin, o espaço nasceu da necessidade de apoiar famílias do povo em situação de vulnerabilidade. Ele ressalta que a presença dos estudantes reforça a importância da ‘consciência da terra’. “Esse chamado ao replantio é para que nós possamos ser profissionais, mas também conscientes para garantirmos uma água saudável, um ar mais puro, para que as futuras gerações possam também usufruir uma qualidade de vida melhor”, disse.
A restauração da área é acompanhada pela SOS Amazônia, que tem implementado sistemas de irrigação, oferecido capacitações e planeja a construção de um viveiro com capacidade para 20 mil mudas por ano. O gerente do programa, Adair Duarte, destaca que o espaço se tornou um ponto de educação ambiental, especialmente pela proximidade com a capital.

Estudantes relatam que a experiência prática complementa o aprendizado em sala de aula. “É incrível. Toda vez que a gente vem aqui é uma experiência nova, de ver com os nossos próprios olhos a importância do nosso estudo”, afirma Lis Silva, estudante de Engenharia Florestal. Elaine Almeida Fernandes, também de Engenharia Florestal, se surpreendeu com a técnica da cobertura vegetal, algo que não havia visto em sala de aula.

A professora Iwlly Cavalcante, que mobiliza turmas para aprender na floresta, ressalta os benefícios de aprender sobre regime de chuva, controle de erosão e, principalmente, a soberania alimentar, com base na alimentação tradicional Huni Kuin.

O líder Mapu Huni Kuin completa: “Se ninguém está fazendo, nós temos que fazer porque temos que ser esse exemplo”.

Com informações do Portal Amazônia.










