Mercosul e União Europeia assinam acordo histórico após 25 anos de negociação, abrindo novas oportunidades para o comércio e investimentos
O governo federal destacou que a assinatura do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia representa um avanço na estratégia de ampliar e diversificar os mercados externos para produtos brasileiros. A informação foi divulgada em nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, após a cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além da parceria com a UE, o Brasil tem buscado ativamente outros acordos comerciais. Desde 2023, negociações foram concluídas com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que inclui Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Atualmente, há tratativas em andamento com Emirados Árabes Unidos, Canadá e Vietnã, e planos para expandir o acordo de preferências tarifárias com a Índia. O governo também mantém diálogos comerciais com parceiros estratégicos, como o Japão, com o qual estabeleceu um marco de parceria estratégica.
O presidente Lula não compareceu à assinatura do acordo, sendo representado pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira. A cerimônia contou com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e dos presidentes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai. Lula recebeu von der Leyen no Rio de Janeiro na sexta-feira (16), classificando a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil é responsável por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente. Lula enfatizou que “essa é uma parceria baseada no multilateralismo” e que o acordo “vai além da dimensão econômica”. Ele acrescentou: “A UE e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente”.
O acordo comercial, assinado neste sábado, é um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo. A expectativa é que ele integre melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e aumente o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, abrangendo mais de 90% do comércio total entre os blocos, além de estabelecer regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. No entanto, para entrar em vigor, o acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos, um processo que pode ser longo e politicamente sensível.
Com informações do G1











