Aumento das ações de empresas de petróleo dos EUA reflete otimismo com possível acesso às reservas venezuelanas após declarações de Trump
As ações das empresas petrolíferas dos EUA subiam nas negociações pré-mercado nesta segunda-feira, impulsionadas pela expectativa de que a postura do presidente Donald Trump em relação à Venezuela abra caminho para um maior acesso às maiores reservas de petróleo do mundo.
A Chevron, a única grande empresa americana que atualmente opera nos campos de petróleo da Venezuela, registrou alta de 7,3%. Refinarias como Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy também apresentaram ganhos significativos, variando entre 5% e 16%.
O movimento ocorreu após Trump afirmar que os EUA precisam de “acesso total” às vastas reservas de petróleo da Venezuela, em um contexto de tensões políticas no país sul-americano. A declaração reacendeu as expectativas de que Washington possa flexibilizar as restrições sobre as exportações venezuelanas de petróleo bruto. “Vamos fazer com que nossas grandes empresas petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, entrem, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura muito quebrada, a infraestrutura de petróleo, e comecem a ganhar dinheiro para o país”, disse Trump no sábado.
A Venezuela, que já produziu até 3,5 milhões de barris por dia (bpd) na década de 1970, respondendo por mais de 7% da produção global, viu sua produção despencar nas décadas seguintes. A produção caiu para menos de 2 milhões de bpd na década de 2010 e atingiu uma média de cerca de 1,1 milhão de bpd no ano passado, representando aproximadamente 1% da oferta global, devido a anos de subinvestimento e sanções.
O petróleo venezuelano é caracterizado por ser um petróleo *heavy sour* com alto teor de enxofre, o que o torna mais adequado para a produção de diesel e combustíveis mais pesados, embora com margens de lucro menores em comparação com outros tipos, especialmente os do Oriente Médio. Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone, explica: “Esse tipo de petróleo se alinha bem com a configuração das refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que historicamente foram projetadas para processar esses tipos de petróleo”.
A presença da Chevron na Venezuela, amparada por uma isenção dos EUA, a coloca em uma posição vantajosa para se beneficiar de qualquer mudança na política americana. As refinarias também podem ganhar com a maior disponibilidade de petróleo pesado mais próximo de suas instalações. Contudo, analistas alertam que uma recuperação significativa na produção de petróleo venezuelana pode levar tempo, considerando a incerteza política, a deterioração da infraestrutura e os anos de subinvestimento.
Com informações do G1










