Queda expressiva! Ações da Azul despencam mais de 70% após oferta de ações como parte de plano de reestruturação
As ações da Azul despencavam mais de 70% perto das 15h30 desta quinta-feira (8), acumulando uma queda superior a 90% em cinco dias. A forte desvalorização reflete o início da oferta pública de ações ordinárias (com direito a voto) e preferenciais (sem direito a voto), parte do plano de reestruturação da companhia.
Segundo comunicado da Azul em dezembro, o objetivo da oferta é a capitalização da empresa por meio da “troca obrigatória de dívidas financeiras”. Na prática, credores estão convertendo suas dívidas em ações, abrindo espaço para uma reorganização financeira e reduzindo o endividamento.
A operação envolveu uma oferta de R$ 7,4 bilhões em ações, o que explica a forte queda dos papéis. Para viabilizar a operação, foram emitidas 723,9 bilhões de ações ordinárias e o mesmo volume de ações preferenciais, vendidas em lotes de 1 mil e 10 mil papéis.
A Justiça americana aprovou o plano de reorganização da Azul em dezembro de 2023, marcando a conclusão de uma etapa do processo de recuperação judicial. “Essa decisão reforça a consistência geral da reestruturação proposta, permitindo que a companhia avance para as próximas fases de implementação”, disse a empresa em comunicado de 12 de dezembro.
A Azul entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos em maio de 2023, um mecanismo semelhante à recuperação judicial brasileira. A empresa atribuiu a necessidade da medida aos “efeitos profundos da pandemia de Covid‑19, combinados a pressões macroeconômicas e setoriais” que elevaram seu endividamento. “Em meio à instabilidade econômica e política no Brasil, a companhia adotou diversas medidas de reestruturação e captação de recursos entre 2020 e 2025, culminando no protocolo do Chapter 11 em maio de 2025”, informou a empresa.
A Azul não é a única companhia aérea brasileira a passar por recuperação judicial. Gol e Latam também já adotaram medidas semelhantes. A Gol entrou com o pedido em 2024, com dívidas estimadas em R$ 20 bilhões, enquanto a Latam o fez em 2020. O aumento nos pedidos de recuperação judicial no setor aéreo reflete fatores como a desvalorização do real, altos custos operacionais, aumento nos preços de combustíveis e prejuízos acumulados durante a pandemia.
A Latam concluiu seu processo de Chapter 11 em 2022, e a Gol saiu oficialmente do procedimento em junho de 2025. A Azul espera concluir o processo ainda este ano.
Com informações do G1








