Um ofício que transcende a simples comunicação visual, a arte dos abridores de letras – ou letristas – revela um rico patrimônio cultural brasileiro. Pesquisadores têm se dedicado a mapear e analisar essa produção artesanal, que ganha expressões únicas em diferentes regiões do país.
A designer paulistana Priscila Farias, estudiosa da forma das letras no espaço público, traça paralelos com o filete portenho, estilo ornamental argentino. No Brasil, a prática se manifesta de diversas formas, desde a pintura de carrocerias de caminhões até letreiros e fachadas de lojas.

A pesquisa, iniciada na década de 1990, busca valorizar a produção dos letristas populares e abrir o olhar para essa manifestação cultural presente nas ruas. Em Pernambuco, o projeto “Abridores de letras de Pernambuco” documenta o trabalho de artistas que utilizam o pincel para criar letras ornamentadas sob encomenda.
Na Amazônia, a tradição ganha contornos próprios, como revela a designer Fernanda Martins. Em comunidades ribeirinhas do Pará, as letras coloridas e decoradas adornam embarcações, refletindo uma identidade local e um saber transmitido ao longo do tempo. O projeto “Letras que flutuam” busca preservar e divulgar esse ofício, mapeando profissionais e combatendo a apropriação indevida de seu trabalho.

A sobrevivência dessas tradições depende da valorização dos letristas e do reconhecimento de seu trabalho como patrimônio cultural, como já ocorreu com o filete portenho em Buenos Aires. A pesquisa e a documentação, como as realizadas por Fátima Finizola e Fernanda Martins, desempenham um papel fundamental nesse processo, revelando a riqueza e a diversidade da memória gráfica brasileira.

Além da preservação, a pesquisa aponta para a importância de reconhecer o “sotaque tipográfico” de cada região, como o estilo particular encontrado no Rio de Janeiro no início do século XX, demonstrando que a arte dos letristas é uma expressão autêntica da identidade cultural brasileira.

Com informações do Portal Amazônia.










