Uma pesquisa inovadora desenvolvida na Universidade do Estado do Pará (Uepa) está transformando o excedente de abacaxi da Ilha do Marajó em um amaciante natural para carne bubalina. O trabalho, realizado pelas pesquisadoras Karla Costa e Nilciane Farias, utilizou a enzima bromelina, presente no abacaxi Pérola (variedade Cabeça de Macaco), para melhorar a maciez da carne.
O estudo, orientado pela professora Carmelita de Fátima Amaral Ribeiro, foi premiado como melhor pesquisa acadêmica da Uepa em 2025, destacando sua relevância social e econômica para o estado. A investigação focou na localidade de Condeixa, em Salvaterra, onde o cultivo do abacaxi é a principal fonte de renda da agricultura familiar.

A iniciativa surgiu da necessidade de encontrar uma alternativa sustentável para o reaproveitamento de abacaxis pequenos ou fora do padrão comercial, evitando o desperdício. O amaciante foi desenvolvido no Laboratório de Tecnologia de Alimentos da Uepa, combinando o fruto desidratado com condimentos naturais. Análises laboratoriais comprovaram a segurança e eficácia do produto, com pH de 4,83 e 15° Brix.
Testes sensoriais com consumidores demonstraram que 87% dos avaliadores classificaram a carne tratada com o amaciante como “muito macia”, superando expectativas em sabor, aroma e suculência. As pesquisadoras ressaltam que a qualidade do amaciante não depende do tamanho do fruto. “O amaciante elaborado a partir da ação da bromelina do abacaxi pérola da região de Condeixa mostrou-se eficaz. Um dos pontos fortes do projeto foi demonstrar que esses abacaxis, embora fora do padrão comercial, possuem a mesma eficácia e ação da bromelina quando comparados a frutos dentro dos padrões normais”, explicam Karla Costa e Nilciane Farias.
A pesquisa, que contou com o apoio da Emater-PA e da Sedap, abre novas perspectivas para a valorização da produção local, a geração de renda para os agricultores e o desenvolvimento de um produto regional com identidade marajoara. “Além de priorizar um produto regional, transformamos a matéria-prima que antes era descartada ou vendida por preço muito baixo em um insumo valorizado. Com isso, reduzimos o desperdício, agregamos valor à produção local e ampliamos as possibilidades de geração de renda para os produtores”, destacam as autoras.
Com informações do Portal Amazônia.









