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21 de fevereiro de 2026

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A preconceituosa sugestão de Eduardo Bueno: um ataque à cidadania evangélica

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*A PRECONCEITUOSA SUGESTÃO DE EDUARDO BUENO: UM ATAQUE À CIDADANIA EVANGÉLICA*

 

Por José Sidney Andrade dos Santos

 

Em um mundo onde a diversidade de crenças e opiniões deveria ser o pilar da democracia, surge uma voz que, sob o manto de “historiador” e “escritor”, destila preconceito e intolerância. Refiro-me a Eduardo Bueno, popularmente conhecido como “Peninha”, que, em uma declaração recente e polêmica, sugeriu que evangélicos não deveriam votar. Essa afirmação, proferida em um vídeo no seu canal “Buenas Ideias”, não é apenas uma opinião isolada, mas uma clara demonstração de desrespeito à cidadania plena de milhões de brasileiros que professam a fé evangélica.

 

Vamos contextualizar: no vídeo intitulado “Com Mil Raios”, Bueno, com tom irônico e provocador, afirmou que “deveria ser proibido evangélico votar”. Ele prosseguiu, comparando os fiéis a “ovelhas pastando com o pastor” e questionando por que eles participariam de eleições se “nem para pastor votam”. Para agravar, associou o voto evangélico a escolhas “retrógradas, reacionárias e nefastas”, citando políticos como Nikolas Ferreira, Sóstenes Cavalcante e Magno Malta como exemplos de figuras eleitas por esse eleitorado. Ora, essa retórica não passa de uma tentativa de desqualificar um grupo social inteiro, reduzindo-o a estereótipos simplistas e ofensivos.

 

O que Bueno parece ignorar – ou deliberadamente omitir – é que os evangélicos representam uma parcela significativa da população brasileira, estimada em cerca de 30% segundo dados do IBGE. São cidadãos trabalhadores, em sua maioria de classes menos favorecidas, que contribuem ativamente para a sociedade através de igrejas que promovem ações sociais, educação e recuperação de dependentes químicos. Esses indivíduos não são “manipuláveis” ou “incapazes” de exercer o direito ao voto; pelo contrário, eles são mais engajados cívicos do que muitos que os julgam de cima de suas torres de marfim intelectuais. O voto evangélico é uma expressão legítima de valores como família, moralidade e conservadorismo, que têm tanto direito de existir quanto as visões progressistas que Bueno parece defender com fervor.

 

Essa sugestão de exclusão não é apenas absurda; é inconstitucional. A Constituição Federal de 1988 garante o sufrágio universal, independentemente de credo religioso. Propor, mesmo que em tom “humorístico”, a proibição do voto para evangélicos é flertar com o autoritarismo e o preconceito religioso, algo que remete a épocas sombrias da história onde minorias eram silenciadas. Não por acaso, a declaração gerou repercussão imediata: vereadores de Novo Hamburgo (RS) aprovaram uma moção de repúdio, classificando-a como um ataque à dignidade e aos direitos políticos. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou inquérito para investigar possível intolerância religiosa, enquadrada na Lei 7.716/89, que pune crimes de discriminação. Entidades como o Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) emitiram notas veementes, acusando Bueno de incitação ao ódio e cristofobia.

 

Mas vamos além da superfície: o que revela essa postura de Eduardo Bueno sobre seus próprios valores? Como um suposto “historiador”, ele deveria conhecer as lições do passado sobre perseguições religiosas e a importância da pluralidade. No entanto, suas escolhas demonstram uma preferência por um secularismo radical que beira o extremismo, onde qualquer influência religiosa na política é vista como ameaça. Ele critica o “voto retrógrado” dos evangélicos, mas ignora que esses mesmos eleitores ajudaram a construir um Brasil mais ético em pautas como combate à corrupção e defesa da vida. Em contraste, Bueno parece alinhado a uma elite cultural que prefere o “extermínio” simbólico de vozes conservadoras, silenciando-as em nome de um progressismo que, ironicamente, exclui o diferente.

 

É hora de desconstruir essa narrativa elitista. Os evangélicos não são uma “ameaça” à democracia; eles são parte essencial dela. São cidadãos que pagam impostos, educam seus filhos e participam ativamente da vida pública, muitas vezes mais do que aqueles que os rotulam como “fanáticos”. A sugestão de Bueno não é crítica construtiva; é preconceito puro, disfarçado de intelectualidade. Se ele realmente valoriza a história, deveria estudar como sociedades inclusivas prosperam e como o ódio religioso leva ao declínio.

 

Em resumo, a declaração de Peninha é um lembrete de que o preconceito ainda persiste em camadas da sociedade que se julgam “iluminadas”. Aos evangélicos, digo: continuem votando, participando e defendendo seus valores. Vocês são mais cidadãos do que aqueles que os julgam – e muito mais resilientes do que os que preferem seu “extermínio” ideológico.

 

Pr. Jose Sidney Andrade dos Santos

Filosofo, Sociólogo, Escritor, Psicanalista

Primeira Igreja Batista de Candeias do Jamari – RO

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