Pesquisa eleitoral tem duas funções: enrolar o eleitor e ajudar o candidato na tomada de decisões. Em geral, as pesquisas realizadas muito tempo antes da data do pleito, não tem nenhuma credibilidade, logo, não serve para tomada de decisões. Por isso, dá para se concluir que serve principalmente para enrolar o eleitor.
Por exemplo, estamos em fevereiro de 2022 e teremos eleições em outubro para presidente da República. Já existem pesquisas sendo divulgadas desde o meio do ano passado indicando uma suposta vantagem do ex-presidente Lula sobre o atual presidente Jair Bolsonaro. Dá para acreditar?
Vamos por partes: quem é o(a) candidato(a) que vai sair junto com Lula? Ninguém sabe. Quais partidos vão sair junto com o PT? Ninguém sabe. O eleitor já está preparado, bem informado para votar? Obviamente que não. Falta muito tempo. Os programas de TV divulgando as intenções e os programas dos candidatos vão começar lá na frente, depois do meio do ano. Como é possível antecipar algum tipo de resultado?
Sinceramente, nenhum pré candidato hoje pode jurar de pés juntos que acredita em algum resultado de pesquisa nessa altura do campeonato. Nenhum partido, nenhum apoiador, ninguém pode tomar decisões baseado em algum número exposto agora. Quer um exemplo disso?
O presidente Jair Bolsonaro veio a Porto Velho na última quinta-feira para uma agenda internacional. De acordo com as pesquisas recentes, o que poderia se esperar da passagem dele na Capital do Estado?
Vamos por partes: as pesquisas não indicam que Bolsonaro está vivendo a pior rejeição da história do país? Sim. As pesquisas não indicam que a maior parte da população considera Bolsonaro mais responsável pelas mortes de Covid19 do que até mesmo o próprio vírus? Sim.
Então era de se esperar que a passagem de Bolsonaro em Porto Velho fosse uma grande oportunidade para o povo de Rondônia, tão castigado pela pandemia, descesse o sarrafo no presidente.
Foi o que aconteceu? Não.

A imprensa fez registros fotográficos claros de que a oposição ao presidente se resumiu a um grupo de menos de 15 pessoas levando três ou quatro faixas para vários cantos da cidade. Não passou disso. Está nos jornais e nos webjornais de Rondônia para qualquer um ver. São as mesmas 13 ou 14 pessoas segurando as mesmas faixas.
Então o que houve com as pesquisas?
Houve aquilo que já sabemos: as primeiras pesquisas eleitorais, aquelas que ainda estão muito distante do dia das eleições, estão mais para tentar convencer o eleitor do que para mostrar como pensa o eleitor.
Lembremos de 2018: Bolsonaro perderia para todo mundo. Não foi isso o que aconteceu.
Esta análise não tem como objetivo defender a candidatura do presidente Jair Bolsonaro. Esta análise pode ser aplicada a qualquer eleição, em qualquer posição na linha do tempo da política brasileira.
Para entender melhor: institutos de pesquisa vivem de credibilidade. Eles precisam acertar os resultados de suas pesquisas. Os primeiros prognósticos, como os que estamos vendo agora, em fevereiro, podem dizer qualquer coisa. Dá para levar nesse ritmo até agosto, mas não até setembro. Por isso, a gente vê de forma tão costumeira as pesquisas darem guinadas significativas quando o pleito se aproxima.
Isso não quer dizer que o povo mudou de ideia. Quer dizer que os institutos precisam se adequar à realidade, para que sua reputação não se esfarele como areia. É nessa hora, em setembro, nas últimas semanas do mês, que aqueles institutos que ganharam rios de dinheiro induzindo resultados de pesquisas, têm, por contrato, a liberdade de falar a verdade.
Não dá para mentir até o final, até a boca da urna, até o dia da eleição.
Por isso que não dá para levar a sério essas pesquisas que estamos vendo agora, seja prevendo resultados à presidência, a governo de Estado, Senado, e etc.
Nessa altura do campeonato, querer prever algum resultado, só com muita ingenuidade…. Ou muita malandragem.








