O rádio, um meio de comunicação que marcou época, teve um papel fundamental na consolidação de gêneros musicais e na formação da identidade cultural do Brasil, especialmente no Amazonas. Nas décadas de 1920 e 1930, as ondas radiofônicas ganharam força, transformando a maneira como as pessoas consumiam música e informação.
A primeira transmissão de rádio no Brasil ocorreu em 7 de setembro de 1922, durante as comemorações do centenário da Independência. O discurso do então presidente Epitácio Pessoa ecoou pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Petrópolis, captado por cerca de 80 receptores.
Em 1923, a fundação da Rádio Sociedade, por Roquette Pinto e Henrique Morize, e, em 1924, da Rádio Clube, marcaram o início da era do rádio no país. Apesar de funcionarem por poucas horas e em dias alternados, essas emissoras foram cruciais para tirar a música popular do amadorismo e profissionalizá-la, pavimentando o caminho para a década de 1930.
Com a profissionalização, o samba ganhou destaque no cenário cultural brasileiro, impulsionado pelo rádio, pela venda de discos e pela figura do cantor. Nomes como Ismael Silva, Wilson Batista, Noel Rosa, Mário Reis, Francisco Alves, Araci de Almeida, Carmem Miranda e Dalva de Oliveira tornaram-se ícones da época.
O governo de Getúlio Vargas também desempenhou um papel importante, utilizando o rádio como ferramenta de comunicação e propaganda. A criação da Rádio Nacional, em 1936, e sua posterior nacionalização em 1940, permitiram que as ondas radiofônicas alcançassem todo o território brasileiro, transmitindo notícias, entretenimento e mensagens governamentais.
Em Manaus, a era do rádio floresceu nas décadas de 1950 e 1960, com a Rádio Difusora e a Rádio Baré. Concursos de rainhas do rádio e o sucesso de artistas como Cauby Peixoto, Orlando Silva e Nelson Gonçalves cativaram o público local. A rivalidade entre as emissoras Difusora e Baré era intensa, com programas de auditório e a disputa por audiência.
Na capital amazonense, o rádio surgiu em 1927, em um contexto de dificuldades econômicas após o declínio da borracha. Inicialmente, a emissora “Voz de Manaus” transmitia informações sobre o mercado de látex e notícias de interesse público. Após um período de interrupção, surgiram a Rádio Baré (1938), a Rádio Difusora (1948) e a Rádio Rio Mar (1954).
A magia do rádio era tão forte que moldava a vida dos manauaras. As famílias se reuniam para ouvir os programas, os comerciantes anunciavam seus produtos e os artistas locais ganhavam espaço para mostrar seu talento. O rádio era parte integrante da rotina da cidade, criando laços e memórias que permanecem vivas até hoje.
Nomes como Maria de Lourdes, Roque de Souza, Belmiro Vianez, Dantas de Mesquita, Jayme Rebello, Corrêa de Araújo, Josaphat Pires, Sylvia Lene, Neuza Inês, Grace Moema, Tânia Regina, Nice de Alcântara, Carolina Lander, Denizar Menezes, André Limonge, Índio do Brasil, Ayrton Pinheiro, Maria Eneida e Ray Fernandes, entre muitos outros, contribuíram para a história do rádio no Amazonas, deixando um legado cultural inestimável.








