Tensões aumentam com a Groenlândia: Dinamarca e Europa reagem às ameaças de Trump, que cogita até uso da força
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, expressou profunda preocupação com a investida do presidente dos EUA, Donald Trump, para anexar a Groenlândia, afirmando que “o pior ainda está por vir”. O premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, também alertou que a ilha deve se preparar para “todos os cenários”.
“Podemos negociar sobre tudo no campo político, de segurança, investimentos e economia, mas não podemos negociar sobre nossos valores fundamentais — soberania, a identidade de nossos países e nossas fronteiras, nossa democracia (…) É um capítulo sombrio no qual nos encontramos e podemos, infelizmente, estar em uma situação em que o pior não ficou para trás, mas ainda está à nossa frente”, declarou Frederiksen ao Parlamento dinamarquês.
Trump tem defendido a compra da Groenlândia, uma ilha do Ártico pertencente à Dinamarca, e não descarta o uso da força militar para alcançar esse objetivo. O presidente americano anunciou que se reunirá com líderes europeus em Davos para discutir a questão. Nielsen, por sua vez, reconheceu que, embora o uso da força militar não seja provável, “não se pode descartar essa possibilidade”, já que Trump deixou claro que essa opção está sobre a mesa. “Por isso, precisamos estar preparados para todos os cenários”, completou.
A investida de Trump é vista pela premiê dinamarquesa como um desafio à ordem mundial, que vai além da Dinamarca e da Groenlândia. Ela enfatizou a importância da cooperação com os aliados da Otan diante da situação. Em resposta às ameaças, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia começaram a enviar tropas para a Groenlândia e planejam realizar exercícios militares na ilha.
A escalada de tensões se intensificou após Trump anunciar a aplicação de uma tarifa de 10% a oito países europeus que se opõem ao plano de anexação da Groenlândia, medida que entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2026. Os países europeus ameaçam retaliar com medidas econômicas. Reuniões entre autoridades americanas e dinamarquesas não surtiram efeito, e um acordo para a compra da ilha parece cada vez mais distante.
O presidente Trump tem defendido a anexação da Groenlândia desde o início de seu segundo mandato, alegando que o território é “vital” para a construção de um escudo antimísseis, o “Domo de Ouro”. A Casa Branca já possui uma base militar na ilha, mas reduziu sua presença nos últimos anos.
Com informações do G1










