Pequenos, aparentemente inofensivos, mas capazes de causar grandes problemas. É assim que se apresentam as pragas, organismos que provocam danos ambientais e prejuízos econômicos significativos, tanto no campo quanto nas cidades. Na Amazônia, a situação não é diferente.
Pragas podem ser plantas, animais ou até mesmo microrganismos que, em grande quantidade, desequilibram ecossistemas e afetam a produção de alimentos. A preocupação com esses invasores é constante entre autoridades de saúde e agricultores.
O Portal Amazônia listou cinco pragas que, apesar de pouco conhecidas, representam um desafio para a região. Para entender melhor o problema, conversamos com a entomóloga Beatriz Ronchi Teles, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
Soldadinhos
Quem não se lembra dos soldadinhos da infância? Esses insetos da ordem Hemiptera, da família Membracidae, podem parecer inofensivos, mas em grande número se tornam pragas agrícolas. Eles se alimentam da seiva das plantas, causando prejuízos nas plantações.
“Os soldadinhos possuem um aparelho bucal sugador que perfura os tecidos das plantas para sugar a seiva, enfraquecendo-as. A perda de seiva reduz o vigor, atrapalha o crescimento e a fotossíntese, deixando as folhas murchas e amareladas”, explica Beatriz Teles.
Carrapatos
Vetores de doenças para animais e humanos, os carrapatos são uma preocupação constante, especialmente na pecuária. Eles causam prejuízos à saúde dos animais e à produção agropecuária, além de transmitirem doenças graves como babesione, anaplasmose em bois e febre maculosa em humanos.
“Os carrapatos são parasitas externos que se alimentam do sangue de animais. Ao se alimentarem, causam feridas, coceira, perda de pelos e podem transmitir doenças. São pragas por viverem sugando o sangue dos animais e causarem prejuízos econômicos”, detalha a entomóloga.
Cupim
Conhecidos por se alimentarem de madeira e materiais celulósicos, como papel e papelão, os cupins são pragas que causam prejuízos materiais e econômicos em casas de madeira, móveis, cercas e plantações de cana-de-açúcar, café e milho.
“Os cupins vivem de forma organizada e são difíceis de controlar devido à sua rápida reprodução. Eles se alimentam de dentro para fora, danificando as estruturas de madeira sem que o estrago seja percebido de imediato”, alerta Beatriz.
Monilíase
A monilíase, ou “praga do cacaueiro”, é uma doença causada pelo fungo Moniliophthora roreri, que afeta o cacau e o cupuaçu. É uma das pragas mais devastadoras da Amazônia, causando perdas de 70% a 100% na produção.
“O fungo penetra nos frutos jovens, muitas vezes por ferimentos. O controle é difícil e caro, exigindo manejo constante, seleção de frutos e eliminação de focos”, explica a pesquisadora.
Moscas-das-frutas
As moscas-das-frutas atacam frutas durante a maturação, colocando ovos na polpa e causando prejuízos aos produtores. Manga, goiaba, laranja, pêssego e acerola são algumas das frutas mais afetadas.
“Elas afetam a exportação e comercialização de frutas, especialmente em países tropicais. Para reduzir os prejuízos, é necessário investir em monitoramento, armadilhas, controle biológico e manejo integrado de pragas, o que aumenta os custos de produção”, finaliza Beatriz Teles.









