Justificativas, Revelações e o Alinhamento da Política Externa Brasileira com o Pior do Mundo
Por José Sidney Andrade dos Santos
Em um momento de escalada inédita no Oriente Médio, com o ataque coordenado pelos Estados Unidos e Israel resultando na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, não hesitou em posicionar o Brasil de forma veemente. Em entrevistas recentes, Amorim classificou o ato como “totalmente condenável e inaceitável”, afirmando que “ninguém é juiz do mundo” e que devemos “nos preparar para o pior” diante da intensificação do conflito. Essa declaração, emitida logo após os eventos de 28 de fevereiro de 2026, quando bombardeios atingiram a cúpula iraniana, levanta questionamentos profundos sobre as motivações por trás das palavras do ex-chanceler e o que elas revelam sobre a orientação da política externa brasileira sob o governo Lula.
A JUSTIFICATIVA PARA A DECLARAÇÃO: UMA DEFESA DO “MULTILATERALISMO” OU ALINHAMENTO IDEOLÓGICO?
Oficialmente, a justificativa de Amorim para condenar o ataque parece ancorada em princípios de direito internacional e multilateralismo. Ele argumenta que assassinar um líder em exercício é uma violação grave, capaz de estimular o radicalismo na região e prolongar o conflito. De fato, em declarações ao Valor Econômico, Amorim atribui a ação à influência da visão de um “Grande Israel” sobre os EUA, sugerindo que o presidente Donald Trump foi contaminado por essa perspectiva expansionista. Além disso, ele enfatiza a necessidade de o Brasil se preparar para repercussões globais, incluindo instabilidade econômica e riscos à segurança internacional.
No entanto, essa justificativa soa conveniente demais. O Irã, sob Khamenei, tem sido um regime teocrático acusado de patrocinar terrorismo, reprimir direitos humanos e ameaçar a estabilidade regional com seu programa nuclear e apoio a grupos como o Hezbollah e os Houthis. O ataque, descrito como “certeiro” por fontes ocidentais, visava neutralizar uma ameaça direta, especialmente após anos de tensões culminando em ataques iranianos contra bases americanas e israelenses. Por que, então, Amorim opta por uma condenação imediata e unilateral, sem equilibrar com críticas ao histórico iraniano? A resposta parece residir em um alinhamento ideológico histórico do PT com regimes antiocidentais, priorizando uma narrativa de “anti-imperialismo” sobre uma análise pragmática dos fatos.
O QUE ISSO REVELA? UMA VISÃO ENVIESADA DA REALIDADE GLOBAL
As palavras de Amorim revelam uma persistente inclinação da diplomacia brasileira para o lado de atores autoritários, sob o pretexto de neutralidade. Ao afirmar que “matar um líder de um país em exercício é condenável”, ele ignora precedentes históricos, como a eliminação de figuras como Osama bin Laden ou Qasem Soleimani, que foram amplamente aceitos como medidas defensivas contra o terrorismo. Mais ainda, sua declaração soa como se o Brasil estivesse lamentando a perda de um aliado, ecoando o luto oficial iraniano pela morte de Khamenei e até de sua viúva, Mansoureh Khojasteh.
Isso expõe uma contradição: enquanto o mundo ocidental vê o Irã como uma ameaça existencial – com seu apoio a milícias que atacam navios no Mar Vermelho e bases aliadas –, Amorim fala como se o Brasil fosse parte do “grupo atingido”. Suas expressões de preocupação com a “agressão” dos EUA e Israel, sem menção equivalente aos contra-ataques iranianos que atingiram civis em países vizinhos, sugerem uma empatia seletiva. É como se o chanceler – ou melhor, o assessor – se identificasse mais com Teerã do que com Washington ou Tel Aviv, revelando uma política externa que prioriza laços com o “Sul Global” radical, em detrimento de parcerias estratégicas com democracias liberais.
O CHANCELER FALA COMO SE FOSSE PARTE DO GRUPO ATINGIDO?
Sim, e isso é preocupante. Amorim, com sua longa trajetória como ministro das Relações Exteriores nos governos Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2013), sempre defendeu uma diplomacia “ativa e altiva”, mas que na prática se traduz em proximidade com regimes como o de Chávez na Venezuela, Castro em Cuba e, agora, o Irã pós-revolucionário. Sua reação imediata ao ataque – emitindo notas oficiais de preocupação e condenação – contrasta com o silêncio ou tibieza em relação a violações iranianas, como a repressão a protestos internos ou o financiamento de terrorismo. Ao dizer “nos preparar para o pior”, ele inclui o Brasil nesse “nós” atingido indiretamente, como se o país fosse vítima colateral de uma “agressão imperialista”, alinhando-nos a narrativas de potências como Rússia e China, que também condenaram o ataque.
Essa postura não é neutra; é partidária. Revela um viés antiocidental que ignora os benefícios econômicos e de segurança que o Brasil poderia colher de uma aliança mais firme com os EUA, especialmente em tempos de instabilidade global.
ISSO TUDO DEMONSTRA O QUANTO NOSSA POLÍTICA EXTERNA ESTÁ ALINHADA AO QUE HÁ DE PIOR NO MUNDO
Infelizmente, sim. A declaração de Amorim é um sintoma de uma política externa brasileira que, sob Lula, continua a flertar com o que há de pior no cenário internacional: regimes autoritários, teocracias opressoras e narrativas que relativizam o terrorismo em nome de um suposto equilíbrio multipolar. Enquanto nações como Índia e Arábia Saudita buscam pragmatismo, equilibrando relações com ambos os lados, o Brasil opta por uma condenação precipitada que isola o país de potenciais aliados econômicos.
Isso não só enfraquece nossa posição global, mas também revela uma desconexão com os interesses nacionais. Em um mundo onde o comércio com os EUA e a Europa supera em muito o com o Irã, por que priorizar solidariedade ideológica? A resposta está na essência do lulismo: uma visão de mundo que vê o Ocidente como o vilão perpétuo, alinhando-nos involuntariamente com atores que promovem instabilidade e opressão.
Em resumo, a declaração de Amorim não é apenas uma opinião diplomática; é um espelho das falhas da nossa política externa. É hora de questionar se queremos continuar alinhados ao “pior do mundo” ou buscar um caminho de verdadeira independência e prosperidade.
O Brasil é, sob o governo do lulopetismo, um anão diplomático.
José Sidney Andrade dos Santos
Filosofo, Sociólogo, Escritor, Psicanalista











