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Fiocruz Rondônia usará bactéria em mosquito e bloquear a dengue

Nascida pela necessidade de estudos mais aprofundados sobre a malária, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Rondônia tem a missão de enfrentar as questões de saúde locais, com pesquisas iniciadas à época, no final dos anos de 1980, por professores sêniores da Universidade de São Paulo (USP).

“Nós buscamos conhecer a situação de saúde local e através da epidemiologia já tivemos muitos resultados, com trabalhos que mostraram, por exemplo, a importância do cidadão assintomático para a malária vivax. Além disso, na área de virologia, as pesquisas mostram quais vírus estão circulando, tanto os arbovírus quanto as infecções infantis e bactérias que estão causando doenças nas nossas crianças”, explica o diretor da Fiocruz Rondônia, Ricardo Godoi.

Mansonia

Desde 2017, a Fiocruz está trabalhando mais intensivamente no caso dos mosquitos mansonia, que em grandes nuvens tem incomodado as comunidades de Jaci-Paraná, Mutum Paraná e Assentamento Joana Darc, à margem esquerda do Rio Madeira. “São áreas de impacto das usinas hidrelétricas de Porto Velho, e em conjunto com o Ministério Público de Rondônia, nos estamos buscando entender o problema. O mosquito não é transmissor de doença, mas incomoda pela quantidade e pela picada muito dolorida. Quase não há estudo sobre a espécie, justamente por não ser transmissor, então o nosso grupo de entomologia está trabalhando de uma forma muito pioneira”.

Expectativa

Em fase de teste, a grande expectativa é o trabalho que está em fase de liberação no Rio de Janeiro e mais cinco localidades que utilizam uma bactéria dos mosquitos chamada volbaquia, para bloquear a transmissão do vírus da dengue pelo aedes aegypti. “A bactéria está sendo inserida dentro do aedes aegypti, já que com a bactéria o mosquito não transmite o vírus da dengue, e talvez até não transmita outras viroses, apesar de só termos a demonstração de bloqueio à transmissão da dengue. A ideia é substituir as populações naturais por essa população com essa bactéria, porque o vetor é dos grandes problemas dessas epidemias, e por mais que a gente consiga uma vacina eficiente ou mecanismos de controle de vetores, precisamos atuar em várias frentes simultaneamente”, diz Godoi.