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Museu cataloga doações de fósseis de gigantes que viviam às margens do Madeira

Dia a dia, a pequena equipe do Museu da Memória cataloga 82 fósseis encontrados e recolhidos ao longo de antigos garimpos de ouro do rio Madeira desde os anos 1980. “Esperamos concluir nosso trabalho até o final do ano, para posterior exposição”, previu a diretora do Museu, Ednair Rodrigues.
Essa megafauna têm idade presumível de 40 a 45 mil anos, documentaram geólogos da Agência Brasileira de Mineração (ABM), ex-Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Os estudos podem durar anos, já que irão constatar hábitos alimentares, peso [alguns, até 4 toneladas] e a paisagem na qual essa fauna vivia.
Administrado pela Fundação Cultural do Estado de Rondônia (Funcer), o Museu da Memória vem sendo frequentemente visitado por alunos de diversas escolas de Porto Velho.

Identificação

Em fase de instalação, o banco de dados do Museu inclui identificação prévia, estudos aprofundados após limpeza da peça. “Isso é essencial para que se evidenciem as características desses gigantes e nos indicará se as mesmas espécies também teriam habitado outras regiões brasileiras”.
“O fim das atividades garimpeiras nas balsas e dragas ocorreu na fase dos garimpos de sequeiro, nos chamados paleoleitos (*)”, explicou a diretora.

Anomalias

Mesmo com o fim do garimpo de Araras, estima-se que demore longo tempo até que se dê a recuperação plena da flora de fundo e dos peixes que, por acaso, tenham sofrido efeitos teratogênicos [anomalias e malformações ligadas a uma perturbação do desenvolvimento embrionário ou fetal], ou mutagênicos [que pode causar mutação].
O crânio de um mastodonte identificado pela mandíbula e pela dentição é do primeiro adulto encontrado na Amazônia Brasileira. Até então, os únicos registros foram do Estado do Acre, mesmo assim, apenas de fragmentos.
“Nós o identificamos pela mandíbula e pela dentição; já o preguiça gigante, pelas características cranianas”, explicou a diretora.
A maior parte dos fósseis encontrados é de ossos longos [fêmur, por exemplo], crânios e dentes, os que mais chamaram a atenção dos garimpeiros. Há também alguns fragmentos de costelas de mamíferos.

Levantamento

O Museu está catalogando tudo. No primeiro levantamento, conseguiu identificar três espécies: mastodonte, preguiça gigante e toxodonte [“dente de flecha”]. Esta última habitou a Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil entre o final do Plioceno (**) e período recente. “Animais herbívoros e semiaquáticos”, sublinhou Ednair Rodrigues.