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Povo Paiter-Suruí pede apoio à Emater-RO para produzir comida para merenda escolar

Lideranças do povo Paiter-Suruí, acompanhadas por representantes da Funai e da Coordenadoria dos Povos Indígenas de Rondônia/Sedam, estiveram reunidas na quarta-feira (2), com a diretoria da Emater-RO. Na oportunidade foi solicitado apoio da autarquia e agilidade para assinatura de um Acordo de cooperação técnica visando ao fortalecimento da produção indígena na região de Cacoal. Salientado ser uma região de grande produtividade, as lideranças indígenas reivindicaram ainda, acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo estadual.

Suruí é o nome mais conhecido do povo indígena que habita as terras localizadas em Cacoal, cidade que fica a cerca de 480 quilômetros da capital, Porto Velho. Mas, o real nome dessa brava gente é “Paiter”, que em sua língua significa: “o povo verdadeiro, nós mesmos”.

Desde 1968, quando conheceu o homem branco, os Paiter passaram por muitas mudanças em sua sociedade e, em histórias recentes, suas terras têm sido ameaçadas por ações e omissões de políticas governamentais e invasão de pessoas não-autorizadas que entram em busca de suas riquezas. Porém, em meio a tantos contratempos, nada tirou sua determinação e agora, motivados em manter sua cultura e meio-ambiente vivos, buscam na agricultura de qualidade o sustento de seu povo.

A visita à diretoria da Emater-RO, em Porto Velho, teve por objetivo buscar apoio para assistência técnica à comunidade indígena na produção de alimentos e preservação da floresta. A área dos Paiter-Suruí é uma área rica onde, somente de castanheira, conta com uma reserva de 280 mil hectares. “Existem outras áreas, umas até maior que a nossa, como as dos Cinta-largas, Zorós e Gavião”, diz Anderson Suruí, uma jovem liderança do povo indígena.

A área produtiva dos Suruí vai muito além da castanha. Hoje eles produzem, entre outros, banana e até café, que exportam para a Suíça. A reivindicação é que todos os integrantes da aldeia tenham orientação técnica para produzir mais e melhor e tenham oportunidade de comercializar sua produção através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo estadual. “O que nós queremos é trabalhar pelo coletivo”, explica Henrique Suruí, salientando que a idéia é fazer com que outros povos também possam ter a mesma oportunidade.

O diretor técnico e de planejamento da Emater-RO, Janderson Dalazen, explica que, mesmo sem um acordo oficial, a Emater-RO tem atendido à demanda da população indígena de Cacoal. “A Emater sempre esteve presente e alguns até já entregam para o PAA, estão cadastrados no nosso programa de fomento e atendemos as lavouras de café de acordo com a demanda”, explica o diretor.

Para a diretora-presidente da Emater-RO, Albertina Marangoni, há sim, um grande interesse da autarquia em contribuir com a comunidade indígena e ela já se posicionou para tentar resgatar o que já está em andamento, como o Acordo de Cooperação Técnica com a Funai para prestação de serviços de assistência técnica e extensão rural e pediu uma minuta das necessidades para uma análise do que poderá ser feito pela Emater-RO.

Albertina também se colocou à disposição para incremento da agroindústria, principalmente para beneficiamento de castanha, pleiteada pelas lideranças indígenas. “O governo tem o Prove (Programa de Verticalização da Pequena Produção Rural) e nós, da Emater, somos responsáveis em orientar todos os passos para legalização da agroindústria e podemos auxiliá-los nesse quesito”, diz a presidente.

Henrique Suruí disse estar confiante que os entraves serão eliminados e pediu à Emater-RO que estreite a aliança com a cooperativa deles, para que o povo Paiter possa dar a sua contribuição ao fomento do estado. Wilson Suruí, outra liderança que acompanhou o grupo, salientou a importância de se buscar meios para a concretização do termo de cooperação que apóie a produção agrícola do povo indígena finalizando que “se agente alimentar a terra, a terra alimenta o nosso povo”.

Além das lideranças do povo Paiter-Suruí, também participaram da reunião, o coordenador regional da Funai de Cacoal, Ricardo Prado e coordenador dos Povos Indígenas de Rondônia, da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Copir/Sedam), Heliton Gavião, o vice-presidente da Emater-RO, Francisco de Assis Sobrinho, além dos técnicos Edson Issao Oikava e Dra. Hemanuele Ferro, advogada da autarquia.